04 Dezembro 2006

Chico espero II

Ainda, em relação à peça publicada pela revista “Focus” em que se denuncia uma clara fuga ao pagamento de impostos municipais, por parte de Francisco Lopes, presidente da Câmara de Lamego, há coisas que ainda nos vão surpreendendo, apesar de já termos tirado, há muito, as medidas ao homem. Ora, vejamos:
Francisco Lopes, vai às finanças e declara por 58 320 euros (menos de 12 mil contos) a sua casa que o próprio afirma valer 250 mil euros (50 mil contos) mas que uma imobiliária (generosa para o contribuinte) avalia em 400 mil euros (80 mil contos) e que gente sabida na matéria considera valer muito mais de 500 mil euros (100 mil contos). Cá, para nós, estes últimos, como sempre, é que estão mais perto da verdade. É que a casa tem mais de 750 metros quadrados de área coberta e foi construída em materiais nobres para além de dispor de alguns equipamentos que não estão ao alcance de todos os mortais (mesmo da classe alta) como é o caso de uma boa piscina. Aliás, a própria imobiliária que avaliou a casa, em 400 mil euros, teve como referência duas vivendas que havia concebido para a vizinhança mas basta lá ir para se perceber que nenhuma das vivendas da vizinhança se compara com a de Francisco Lopes.
Apesar disto, Francisco Lopes, afirma, à revista “Focus” que não vai rectificar o valor da sua casa às finanças para não ser “prejudicado em relação a todos os outros proprietários” de moradias semelhantes. E acrescenta, mais, que “não pode ser descriminado, em relação aos meus vizinhos, só por ter responsabilidades políticas”.
Francisco Lopes comete um acto condenável (fuga aos impostos) e não mostra qualquer arrependimento, antes diz que o faz porque os vizinhos também o fazem e que ele não pode ser prejudicado só porque é político.
Estranha, muito estranha esta forma de pensar. Nós pensamos diferente, pensamos que:
1º - Francisco Lopes não é um cidadão cumpridor. Foge aos impostos.
2º - Francisco Lopes é um delator. Faz queixinhas dos vizinhos.
3º - Francisco Lopes tem má consciência. É um cidadão incumpridor e parte do princípio que todos os outros são como ele.
4º - Francisco Lopes revela uma total desestruturação em relação à moral e ética política. Acha que os políticos devem estar ao nível dos seres mais rastejantes da sociedade quando o correcto deve ser, precisamente, o contrário. Os políticos devem dar o exemplo à sociedade. Como pode um cobrador de impostos (e ele, é) arrogar-se no direito de não pagar os seus próprios impostos?
5º - Francisco Lopes é um “Maria vai com as outras”. Se os seus vizinhos, de repente, desatarem a assaltar bancos, Francisco Lopes, fará o mesmo para não sair “prejudicado” em relação a esses vizinhos.